Criado Instituto de Materiais Cerâmicos no Rio Grande do Sul

O Instituto de Materiais Cerâmicos (IMC) foi inaugurado no dia 09 de setembro de 2011 em uma cerimonia que contou com a participação do Presidente do INMETRO, João Alziro Herz da Jornada, do prefeito de Bom Princípio, Nestor Seibel, do reitor da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Isidoro Zorzi e do secretário estadual de Desenvolvimento Tecnológico, Cleber Cristiano Prodanov . Braço do Polo de Inovação Tecnológica do Vale do Caí para a cerâmica, o IMC é resultado da parceria entre a prefeitura de Bom Princípio, a Universidade de Caxias do Sul (UCS) e o Governo do Estado do RS.

A UCS, como integrante do Polo de Desenvolvimento Tecnológico do Vale do Caí, foi convidada pela Secretaria Estadual de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico a realizar um programa de reestruturação do setor na região. O primeiro projeto "Caracterização de matérias-primas para a indústria de cerâmica vermelha", que iniciou em 2009, deu início à implantação da estrutura laboratorial voltada ao setor. O Instituto tem como objetivo principal a promoção da inovação e do desenvolvimento regional com base na pesquisa e no desenvolvimento tecnológico de materiais cerâmicos. O IMC compreende quatro laboratórios voltados para o processamento e a caracterização de materiais cerâmicos e compósitos:

 

- Laboratório de Materiais Particulados

- Laboratório de Caracterização

- Laboratório de Processamento

- Laboratório Thomas Netzsch de Análise Térmica

 

Esses laboratórios vão possibilitar que sejam realizadas caracterizações reológicas, medidas de potencial Zeta e análises de suspensões, caracterizações tecnológicas e ensaios mecânicos de corpos cerâmicos, além de análises térmicas e de desenvolvimento de parâmetros para processos de fabricação. Além dos equipamentos de análise, o IMC está equipado com extrusoras, moinhos, fornos de alta temperatura e outros equipamentos de processamento.

 

A equipe é constituída pelos professores Robinson Cruz, Cláudio Perottoni e Janete Zorzi, do Centro de Ciência Exatas e Tecnologias da UCS. Também integram o grupo técnicos, pesquisadores externos, acadêmicos de iniciação científica dos cursos de Engenharia da UCS, mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Materias da UCS e doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Ciência dos Materiais da UFRGS. Essa estrutura permitirá a qualificação continuada do corpo técnico atuante no setor produtivo regional, o estabelecimento de parcerias e colaborações científicas com empresas e instituições de pesquisa e a inovação de produtos e processos no setor de cerâmica. Além de pesquisa e desenvolvimento para o setor produtivo regional e, portanto, para cerâmica tradicional, o IMC fará pesquisa em cerâmicas avançadas para aplicações de alto desempenho, também conhecidas por cerâmicas técnicas.

 

O presidente nacional do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO), João Alziro da Jornada, anunciou na solenidade de inauguração uma importante parceria com o Instituto de Materiais Cerâmicos: o IMC será o primeiro Instituto a fazer parte da Rede Inmetro de Laboratórios Associados para Apoio à Inovação e à Competitividade. Jornada ressaltou que o IMC é uma iniciativa que agrega valor ao produto local, além de gerar emprego e renda.

 

O mercado de cerâmicas tradicionais no Brasil

 

Nas últimas décadas o Brasil tem experimentado um importante crescimento no setor de materiais cerâmicos. Após a estabilização econômica da década de 1990, linhas de crédito para alavancar o setor produtivo foram implementadas e os resultados foram, além do significativo aumento na qualidade dos produtos cerâmicos acabados, o uso de tecnologias e conceitos sustentáveis que deram origem a plantas mais eficientes e com maior consciência ecológica.

 

Hoje o Brasil é o segundo maior produtor de revestimentos cerâmicos do mundo, à frente de Índia, Itália e Espanha, e atrás apenas da China. O setor de revestimentos cerâmicos vem experimentando um crescimento contínuo de aproximadamente 6% ao ano nos últimos 10 anos. As principais flutuações em torno desse valor ocorreram nos anos de 2004 e 2009, quando a performance do mercado foi baixa, e no ano de 2007, quando se verificou um pico de 12%. Chegamos ao final de 2011 com uma produção de aproximadamente 800 milhões de m², da qual 700 milhões de m² destinam-se ao mercado interno (o segundo maior mercado consumidor de revestimentos cerâmicos do mundo) e o restante é exportado principalmente para a América Latina e Estados Unidos.

Segundo dados do Sindicato de Olaria e de Cerâmica para Construção no Estado do Rio Grande do Sul, o setor cerâmico abriga, no estado, cerca de 800 empresas que produzem cerâmica para a construção, sendo que na região do Vale do Caí são 40 empresas. Bom Princípio é o município que produz maior quantidade de materiais cerâmicos do RS: cerca de 6,75 milhões de peças por mês, de acordo com dados da Associação dos Municípios do Vale do Caí (AMVARC).

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Fontes:

 - Prefeitura de Bom Princípio
 - Universidade de Caxias do Sul – UCS
 - Special Topic – Opportunities and Challenges; Interceram, v. 60, p.346-360, 2011.

Colaboradores:

 - Dra. Janete Eunice Zorzi
 - Msc. Rafael Vieira Camerini

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